Maca, o afrodisíaco de moda dos Andes peruanos

“O ginseng andino”, lhe dizem. A incluem no grupo diversificado de os “superalimentos”. E as publicidades mais agressivas garantem que é “a resposta natural ao Maximum Power Pro”.


Com tudo isso, referem-se à maca, uma planta que é cultivada na região dos andes, principalmente no Peru, a mais de 4.000 metros sobre o nível do mar, e cuja raiz é consumida nessa área, segundo registros, desde o século XVII, e de acordo com vários pesquisadores, desde o ano 8000 antes de Cristo.



Mas, apesar de crescer em áreas tão inóspitas, está ao alcance de qualquer um. Não é difícil encontrá-la em forma de pó em lojas de produtos naturais. E também vendem na internet, a um preço variável entre US$25 e US$35, da bolsa de 500 gramas.


Começa a estar tão na moda que as exportações de maca peruana aumentaram em 109% entre 2013 e 2014, e apenas no ano passado somaram US$28,7 milhões.


Um crescimento que tem levado as autoridades a criar Promaca, uma entidade com o objetivo de profissionalizar os produtores, aumentar a oferta a nível internacional e incentivar o seu processo de industrialização.


“Como setor, assumimos o desafio de apoiar o desenvolvimento e promoção a nível internacional da maca, o nosso produto bandeira”, disse o 12 de fevereiro, a ministra de Comércio Exterior, Magali Silva Velarde-Álvarez, depois de assinar um convênio de cooperação interinstitucional com esse fim.


Para os Estados Unidos, China e Japão.


“O peru é o país do que decorre entre 90% e 95% da maca que é vendido a nível internacional, mas também se produz, a uma escala muito menor, na Bolívia e no Equador”, informou a BBC Mundo, William Hamilton, coordenador do Departamento de Agronegócios da Promperú, a Comissão de Promoção do Peru para a Exportação e o Turismo, organismo dependente do Ministério de Comércio Exterior e Turismo.


“Saíram notícias sobre o que a China está produzindo também maca, que importou sementes e que as está causando”, disse. “Mas é um país hermético e não temos mais informações”.


Quanto à maca peruana, foi o pó o formato cuja exportação mais cresceu (US$17 milhões em 2014), de 111% em relação ao ano anterior, e, por sua vez, representou 58% dos envios ao mundo. Mas também é vendido inteiro, em pedaços ou em cápsulas.


Os países que mais solicitaram foram Estados Unidos (US$9,7 milhões), Hong Kong (US$5,3 milhões), China (US$5 milhões) e Japão (US$1,49 bilhão).

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De acordo com Hamilton, esses números se devem, em parte, a promoção e a presença em eventos especializados, como feiras de suplementos alimentares, mas acima de tudo, que são “evidenciados pelas boas propriedades”.


E dessas propriedades é especialista Gustavo F. Gonzales Rengifo, biólogo e médico endocrinólogo, diretor do Laboratório de Endocrinologia e Reprodução da Faculdade de Ciências e Filosofia da Universidade Peruana Cayetano Heredia.


Gonzales é especialista em saúde reprodutiva na altura, fisiologia da reprodução, plantas medicinais e saúde ambiental e ocupacional.


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“Há 15 anos estudando a maca e descobrimos que tem muitas propriedades favoráveis para a saúde”, diz à BBC Mundo.


Energizante e ansiolítico


“Em 2001, descobrimos que melhorou a fertilidade tanto feminina como masculina”, aponta.


“E, em 2005, percebemos que as diferentes variedades, cores, lhes correspondiam diferentes propriedades”.


Em base a esse descobrimento, o Instituto de Pesquisas da Altura começaram a indagar sobre as qualidades de dois tipos, em concreto: a maca preta e a vermelha.


Em várias pesquisas, “percebemos que a variante negra favorecia a memória e o aprendizado, aumentava a quantidade de espermatozóides e a sua mobilidade, tinha propriedades energizantes e, em geral, diminuía os estados de ansiedade”, explica.


“E quanto a vermelha, encontramos que poderia reverter a osteoporose, entre outras questões”.


O especialista esclarece que estes estudos foram realizados em animais, “embora outros desenvolvidos em humanos em várias partes do mundo deram resultados semelhantes”, garante.


Em 2010, no entanto, investigaram os resultados do consumo de maca em pessoas. Fizeram-nos Andes Centrais do Peru, uma região de produção da planta.


Os cientistas tomaram uma amostra de 1.000 habitantes da zona, e compararam a saúde de todos aqueles que não consumiam maca e com a dos que a consumiam. A pontuação dos consumidores habituais, maiores de 75 anos, era tal que parecia que não tinham envelhecido, diz Gonzales.


Afrodisíaco, não Maximum Power Pro


Com base nesses estudos, e por sua própria experiência, vários naturistas e médicos tratam seus pacientes com a maca. Alguns a tomar contra a insônia, o cansaço ou a ansiedade, também como complemento das terapias hormonais durante a menopausa, ou para aumentar a libido.


“Sim, descobrimos que melhora o desejo sexual”, diz, nesse sentido, Gonzales, fazendo referência a uma das muitas investigações levadas a cabo sobre a maca. Poderia falar de afrodisíaco, portanto.


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“Mas não vimos que tenha nenhum benefício para a disfunção erétil, tal como foi referido com frequência”.


Assim que o “Maximum Power Pro ” não é mais do que publicidade, de acordo com o que diz o especialista.


No entanto, a equipe de Gonzales não só tem investigado as propriedades deste produto milenar andino, também, a sua possível toxicidade.


Em um estudo de 2005, assinado junto ao Luis G. Valério, um toxicologista do Centro para Avaliação e Pesquisa de Medicamentos da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês), Os aspectos toxicológicos das ervas da américa do Sul unha-de-gato (Uncaria tomentosa) e maca (Lepedium meyenii), concluíam que as investigações feitas até a data mostravam pouca toxicidade em animais e em laboratório.


“Sem toxicidade”


Dez anos depois, insiste-se no mesmo. “Não foi encontrado nada que prove a sua toxicidade”, diz Gonzales. E para isso, põe-se como exemplo os habitantes dos Andes Centrais, que consomem até 40 ou 50 gramas de raiz por dia, “30 vezes mais do que qualquer um que se tome cápsulas ou maca em pó comprado em uma loja”. Segundo o especialista, eles também não se viu que seja tóxico.


Nessa linha, diz que, com base em seus estudos, não pode falar de contra-indicações. “Quanto a seus efeitos negativos, muito do que se tem como certo que não foi comprovado cientificamente”, diz.


Com isto refere-se às sugestões de não fornecer a mulheres grávidas, crianças ou pessoas com hipertensão.


E acrescenta: “Até 2000 ele dizia que não deviam tomar os hipertensos, mas nós achamos que diminui a pressão arterial”.


O especialista acredita que as virtudes da planta devem-se às condições hostis em que cresce. “Nasce a 4.000 metros, onde nada cresce. Têm pelo menos 2.600 anos cultivándola e isso significa que conseguiu sobreviver todo esse tempo. Desenvolveu alguns produtos químicos que o tornaram possível”.


E é por esses compostos que lhe permitiram sobreviver pelo que a exigem cada vez mais os consumidores. Tanto como para converter a maca em que o produto natural de moda.

Maca, o afrodisíaco de moda dos Andes peruanos
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